
Plaquetas altas ou baixas: o que significa o resultado
Plaquetas são as células que fazem o sangue coagular. Veja o que significam valores altos e baixos no hemograma, quando há risco de sangramento e o que fazer depois do exame.
Nesta página · 10 seções
Plaquetas são pequenas células do sangue que ajudam a formar o coágulo quando um vaso se rompe. Em adultos, a faixa habitual é de 150.000 a 450.000/µL, embora o valor de referência varie um pouco de laboratório para laboratório, então vale sempre comparar com a faixa impressa no seu laudo. Uma alteração isolada, sem sintomas, costuma ter causa simples e pode ser investigada com calma, mas valores muito baixos merecem atenção mais rápida. Se você não sabe se o seu valor é muito baixo, leve o laudo ao clínico geral ainda esta semana para ele avaliar.
O que as plaquetas fazem
Quando um vaso sofre uma lesão, as plaquetas se agrupam no local e formam um tampão, que é o primeiro passo para estancar o sangramento. Esse tampão é o que faz um corte pequeno parar de sangrar. Por isso, plaquetas em quantidade adequada são importantes para que pequenos cortes parem de sangrar e para que não surjam hematomas sem motivo aparente.
O número de plaquetas aparece no hemograma, o exame de sangue que também mostra glóbulos vermelhos e brancos. Para entender os outros itens do laudo, veja como ler o hemograma.
Valores de referência
| Situação | Contagem de plaquetas (por µL) |
|---|---|
| Faixa habitual em adultos | 150.000 a 450.000 |
| Plaquetas baixas (plaquetopenia) | abaixo de 150.000 |
| Plaquetas altas (trombocitose) | acima de 450.000 |
Os valores podem variar um pouco de acordo com o laboratório e com a idade. O que importa é a comparação com a referência do seu laudo e a interpretação feita pelo médico, levando em conta o restante do hemograma e os sintomas.
Plaquetas baixas
A queda de plaquetas é chamada de plaquetopenia. As causas mais comuns são:
Infecções virais, especialmente a dengue, que é uma causa importante de queda de plaquetas no Brasil.
Remédios, como heparina, alguns antibióticos e anticonvulsivantes.
Álcool, que pode prejudicar a produção de plaquetas.
Doenças do fígado e baço aumentado, que podem retê-las.
Gravidez: uma queda leve no fim da gestação é comum.
Púrpura trombocitopênica imune (PTI), uma condição em que o próprio corpo destrói as plaquetas.
Falta de vitamina B12 ou ácido fólico.
Doenças da medula óssea, que são raras.
Antes de concluir que há uma queda real, o laboratório pode checar um possível erro de medição chamado pseudoplaquetopenia (uma falsa queda, causada pela forma como o sangue foi colhido e não por uma doença). Nele, as plaquetas se agrupam dentro do tubo de coleta com EDTA e o contador mostra um número falsamente baixo. O próprio laboratório confirma colhendo em outro tubo (de citrato) ou olhando o esfregaço do sangue ao microscópio. Quando não há sintomas, vale repetir o exame antes de tirar conclusões.
Quando há risco de sangramento
Em geral, o sangramento espontâneo só acontece com valores bem baixos, que costumam estar abaixo de 20.000 a 30.000. Ou seja, um valor levemente abaixo da faixa normal não costuma causar sangramento sozinho. Ainda assim, alguns sinais pedem avaliação mais rápida, mesmo que a contagem não pareça tão baixa:
manchas roxas sem ter havido pancada;
pontinhos vermelhos na pele, chamados petéquias;
sangramento de gengiva ou de nariz;
menstruação muito intensa;
sangue na urina ou nas fezes.
Plaquetas abaixo de 50.000, ou qualquer valor baixo acompanhado de algum desses sinais, merecem atendimento no mesmo dia.
Plaquetas altas
A elevação de plaquetas é chamada de trombocitose. Na grande maioria das vezes, ela é reativa, ou seja, uma resposta do corpo a outra situação. As causas mais frequentes são:
falta de ferro;
inflamação ou infecção;
período após uma cirurgia;
retirada do baço.
Quando o valor aumenta por uma dessas causas, geralmente ele volta ao normal depois que o problema é tratado. Por isso, o médico costuma tratar a causa e repetir o exame, sem precisar de investigação pesada logo de início. A causa primária, na própria medula óssea, chamada trombocitemia essencial, é rara. O médico costuma investigá-la quando as plaquetas permanecem muito altas por muito tempo sem explicação, por exemplo acima de 600.000 a 1.000.000/µL. Para entender como a falta de ferro se relaciona com o hemograma, veja ferritina.
O que fazer depois do resultado
Verifique a urgência. Se houver sinais de sangramento, manchas roxas ou sintomas de dengue, procure atendimento hoje, conforme o alerta acima.
Leve o laudo ao clínico geral. Ele vai olhar o hemograma completo, perguntar sobre remédios, álcool, infecções recentes e viagens, e decidir se repete o exame ou pede outros.
Não se automedique. Evite remédios para dor e inflamação, inclusive AAS, sem orientação, principalmente se houver suspeita de dengue ou plaquetas baixas.
Veja o restante do hemograma. Alterações em glóbulos brancos ou vermelhos ajudam a entender a causa. Se os leucócitos também mudaram, veja leucócitos baixos.
Considere o fígado, se o médico indicar. Como a doença do fígado pode influenciar as plaquetas, o médico pode pedir exames hepáticos, como TGO e TGP.
Repita o exame conforme orientação. O médico vai indicar quando refazer a contagem para ver se o número está voltando ao normal.
Perguntas frequentes
Plaquetas de 120.000 são perigosas?
Está abaixo da faixa habitual e merece investigação, mas, em geral, o risco de sangramento só aumenta com valores bem mais baixos, costumando ocorrer espontaneamente abaixo de 20.000 a 30.000. Muitas vezes, a causa é passageira. O médico avalia o conjunto do exame e os sintomas antes de decidir o que fazer.
Plaquetas baixas sempre significam dengue?
Não. A dengue é uma causa importante, mas há muitas outras, como remédios, álcool, gravidez e doenças do fígado. Se houver febre, dor no corpo ou sinais de alarme, procure atendimento e comente a suspeita com o médico.
Plaquetas altas são câncer?
Na grande maioria dos casos, não. A elevação costuma ser reativa, causada por falta de ferro, inflamação, infecção ou cirurgia recente. A investigação mais profunda é reservada para aumentos persistentes e sem causa aparente.
Preciso de jejum para fazer o hemograma?
Em geral, não é necessário. O preparo pode variar conforme o exame pedido junto com o hemograma, por isso confira na hora de agendar se algum outro exame exige jejum. Como o hemograma tem variações de referência entre laboratórios, confirme o preparo com o laboratório. Veja mais em preparo para exame de sangue.
Faça a conta com os seus números
No leitor de hemograma do Dr. Mais Vida, você digita os valores do seu hemograma e vê, linha por linha, o que está dentro ou fora das faixas habituais, com a explicação de cada um. É grátis, roda no seu navegador e nada do que você digita fica guardado.
Para continuar lendo
Acompanhe o seu hemograma com o Dr. Mais Vida
Uma contagem de plaquetas isolada diz pouco; a evolução dela ao longo dos exames diz muito. No Dr. Mais Vida você envia o laudo, vê cada número com a faixa do próprio laboratório e acompanha como ele muda de um exame para o outro, com explicações baseadas em fontes. Seus exames ficam visíveis só para você. Crie sua conta grátis.
Fontes
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento feitos pelo seu médico.
Quem escreveu
Continue lendo
Ácido fólico baixo: sintomas, causas e o que fazerMais sobre Hemograma · · 6 min
Eosinófilos altos: alergia, verme ou outra causa?Mais sobre Hemograma · · 6 min
Ferro sérico, transferrina e saturação: como lerMais sobre Hemograma · · 6 min
Linfócitos altos no hemograma: o que significaMais sobre Hemograma · · 5 min
Como ler o hemograma completo, linha por linhaMais sobre Hemograma · · 4 min
Ferritina alta ou baixa: o que significaMais sobre Hemograma · · 6 min