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Exame de urina tipo 1 (EAS): como ler cada item

Exame de urina tipo 1 (EAS): como ler cada item

O exame de urina tipo 1, também chamado EAS, mostra sinais dos rins, das vias urinárias e do metabolismo em uma única coleta. Veja o que cada item significa e quando procurar o médico.

Equipe Dr. Mais Vida6 min de leituraFeito com ajuda de IA

Nesta página · 9 seções
  1. O que o exame analisa
  2. Valores de referência
  3. Os itens que mais chamam atenção
  4. Como fazer a coleta certa
  5. Perguntas frequentes
  6. Faça a conta com os seus números
  7. Para continuar lendo
  8. Acompanhe os seus exames com o Dr. Mais Vida
  9. Fontes

O exame de urina tipo 1, conhecido também como EAS (sigla de elementos anormais e sedimento) ou urina de rotina, que é o nome usado para uma análise simples e de rotina da urina, analisa a urina em três partes: o aspecto físico, a parte química feita com uma fita reagente e o sedimento observado no microscópio. Com uma única coleta, ele mostra sinais dos rins, das vias urinárias e até do metabolismo. Os valores variam um pouco entre laboratórios, então a faixa que vale é a que está impressa no seu laudo.

O que o exame analisa

O laudo costuma ter três blocos. No aspecto físico, o laboratório observa cor, aspecto (límpido ou turvo) e densidade. No exame químico, uma fita com áreas coloridas reage com a urina e indica proteínas, glicose, corpos cetônicos, sangue, leucócitos, nitrito e pH. No sedimento, um técnico examina a urina no microscópio e conta células, cristais e bactérias.

Cada item responde a uma pergunta diferente, e nenhum deles fecha um diagnóstico sozinho. Por isso o resultado sempre precisa ser lido junto com seus sintomas e com o restante dos exames.

Valores de referência

ItemHabitual (normal)O que pode mudar
Densidadecerca de 1,005 a 1,030Alta quando a urina está concentrada, por pouca água
pHcerca de 5 a 7Varia com a alimentação e não tem grande significado isolado
ProteínasnegativoTraços podem aparecer com urina concentrada, exercício ou febre
GlicosenegativaAparece com glicose do sangue acima de cerca de 180 mg/dL
Corpos cetônicosnegativoJejum prolongado, dietas com pouco carboidrato, vômitos e diabetes descompensado
Sangue e hemáciasnegativo, até cerca de 3 a 5 hemácias por campoMenstruação, exercício intenso, pedras nos rins e infecção
Leucócitosaté cerca de 5 por campo (ou cerca de 10.000/mL)Acima disso sugere inflamação ou infecção
NitritonegativoPositivo sugere bactérias que transformam nitrato

Os itens que mais chamam atenção

Proteínas. A urina normal tem pouca ou nenhuma proteína. Traços isolados são comuns e costumam ser passageiros. Proteína que aparece de forma persistente pede investigação dos rins, e o próximo passo costuma ser o exame de albumina na urina, que mede a proteína com mais precisão.

Glicose. A glicose normalmente não aparece na urina porque os rins a reabsorvem. Ela surge quando o açúcar do sangue passa de cerca de 180 mg/dL, como no diabetes descontrolado. Também aparece em quem toma remédios da classe das gliflozinas (como dapagliflozina e empagliflozina), que fazem o rim eliminar glicose de propósito, como parte do próprio tratamento. Nesse caso, o resultado é esperado e não significa descontrole. Se a glicose estiver alta sem explicação, vale ler sobre a glicose em jejum alta.

Corpos cetônicos. Aparecem quando o corpo queima gordura no lugar de açúcar, como em jejum prolongado, dietas com pouquíssimo carboidrato ou vômitos. No diabetes descompensado, com glicose alta, a presença de cetonas pede atendimento logo.

Sangue. Pequena quantidade de hemácias pode ser normal. Sangue persistente sem explicação precisa ser investigado, e a menstruação é uma das causas mais frequentes de resultado alterado, por isso a coleta não deve ser feita nesse período.

Leucócitos e nitrito. Muitos leucócitos (um tipo de glóbulo branco, sinal de defesa do corpo) junto com nitrito positivo sugerem infecção urinária, em especial por bactérias que transformam o nitrato. Mesmo assim, o diagnóstico junta os sintomas (ardência, vontade frequente de urinar, urgência) e, às vezes, a urocultura, que identifica a bactéria e o antibiótico adequado. O resultado do exame não substitui essa avaliação.

Bactérias, cristais e células epiteliais. Costumam vir de contaminação da amostra ou da alimentação. Alguns cristais e cilindros hialinos ocasionais podem ser normais. Quando há muitos elementos assim, o médico geralmente pede que o exame seja repetido com uma coleta mais cuidadosa, para confirmar se o resultado se mantém.

Como fazer a coleta certa

  1. Prefira a primeira urina da manhã, que costuma ser a mais concentrada e a mais representativa.

  2. Faça a higiene da região genital com água e sabão neutro, sem usar antissépticos fortes.

  3. Despreze o primeiro jato, urine o jato do meio no frasco do laboratório e feche bem.

  4. Entregue a amostra logo, dentro do prazo indicado pelo laboratório.

  5. Não colha durante a menstruação, pois o sangue contamina a amostra e altera o resultado.

Uma coleta mal feita é uma das causas mais comuns de resultado alterado sem motivo real, porque a amostra acaba contaminada por células e bactérias da região genital. Se você estiver com febre e dor na lateral das costas, ou com ardência para urinar, ou ainda com sangue visível na urina, não espere o resultado de uma repetição do exame: procure atendimento no mesmo dia. Se o laudo vier com muitas células e bactérias, pode valer repetir o exame antes de tirar conclusões.

Perguntas frequentes

Encontrar proteína na urina é sinal de doença nos rins?

Não necessariamente. Traços podem aparecer com urina concentrada, após exercício intenso ou durante uma febre, e isso costuma ser passageiro. O que pede investigação é a proteína que se repete nos exames. Nesse caso, o médico pode solicitar a albumina na urina e a avaliação da função dos rins pela creatinina.

Glicose positiva na urina significa diabetes?

Nem sempre. Quem toma remédios da classe das gliflozinas tem glicose na urina de propósito, e isso é esperado. Em quem não usa esses remédios, a glicose positiva costuma indicar que o açúcar do sangue está alto e merece avaliação com exames de sangue.

Leucócitos altos sempre são infecção?

Costumam indicar inflamação ou infecção, mas não fecham o diagnóstico sozinhos. A decisão depende dos sintomas e, muitas vezes, da urocultura. Se você sente ardência ou dor, consulte o médico em vez de tomar antibiótico por conta própria.

Posso fazer o exame durante a menstruação?

Não é o ideal. O sangue da menstruação altera o resultado e pode dar a falsa impressão de sangue na urina. Se possível, agende a coleta para fora desse período.

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Para continuar lendo

Acompanhe os seus exames com o Dr. Mais Vida

Um exame de urina isolado mostra uma foto do momento. Quando você acompanha os resultados ao longo do tempo, fica mais fácil perceber se algo está mudando. No Dr. Mais Vida você envia o laudo, vê cada item com a faixa do próprio laboratório e acompanha a evolução de um exame para o outro, com explicações baseadas em fontes. Seus exames ficam visíveis só para você. Crie sua conta grátis.

Fontes

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento feitos pelo seu médico.

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Quem escreveu

Equipe Dr. Mais Vida

A equipe do Dr. Mais Vida escreve a partir das diretrizes das sociedades médicas brasileiras, do Ministério da Saúde e de fontes públicas de saúde, sempre citadas no fim de cada texto. Os artigos explicam; quem interpreta o seu caso é o seu médico.

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